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"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida."
Sêneca
 
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» A CULPA é DO FIDEL
 

"A CULPA É DO FIDEL", de Julie Gavras, pode ser encontrado na Vídeo Paradiso para locação. Na verdade a culpa é de Costa-Gavras, o pai da diretora do filme, que revisita a sua infância, onde o pai, diretor de cinema reconhecido internacionalmente e de uma militância política marcante. A relevância do filme de 2010 ainda é maior nos tempo atuais em que há uma clara polarização política mundial, e particularmente no Brasil. Voltando ao que interessa, o que se passa na tela, é vermos o mundo de Anna (Nina Kervel-Bey), que com 9 anos de idade, vê a efervescência política no mundo no início dos anos 70, em Paris. Seus avós maternos são aqueles burgueses de carteirinha, defensores da terra, propriedade e pátria. Por outro lado, a família paterna lutava contra a ditadura de Franco, na Espanha. Fernando (Stefano Accorsi), o pai de Anna, mergulha de cabeça na campanha para a eleição de Salvador Allende para presidente do Chile quando seu cunhado é assassinado pelas tropas franquistas. E leva a esposa, Marie (Julie Depardieu) nessa empreitada, deixando para trás seu emprego "burguês" na revista feminina MARIE CLAIRE. A casa de Anna passa a ser frequentada por jovens barbudos, esquerdistas, que, segundo a visão da empregada da família, exilada de Cuba, além dos próprios avós maternos, seriam estes comunistas barbudos os responsáveis pelo mal existente no mundo. Imaginem o que deve ter passado pela cabeça da menina, que ainda era levada pelos pais para passeatas pelas ruas de Paris nas quais o confronto com os policiais era inevitável. Bombas de gás lacrimogênio para embaçar a visão de Anna. A diretora sabiamente não se posiciona politicamente, se resume a registrar a visão dos acontecimentos através do olhar de uma criança. E como é boa essa menina-atriz, hoje mulher, Nina Kervel-Bey.

 
 
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» O CAMINHO DE VOLTA
 

"O CAMINHO DE VOLTA", de Gavin O´Connor, está disponível via streaming. A parceria entre o diretor Gavin O´Connor e o ator Ben Affleck se repete após um intervalo de quatro anos. Em 2016 eles fizeram o ótimo "O CONTADOR". Agora com um drama envolvendo perdas, alcoolismo e esporte eles têm sucesso na empreitada, embora esteja longe de ser um clássico. O personagem central é Jake (Ben Affleck), que trabalha na construção civil durante o dia e ancora num boteco e se embriaga no período noturno. O mundo sombrio no qual Jake se encontra teve como origem a separação de sua esposa, Angela. O padre que dirige o colégio no qual Jake foi o maior jogador de basquete um quarto de século antes, convida-o para ser o treinador do time da escola. Jake aceita o convite. Sua missão é levar a equipe aos playoffs, o que não ocorria há vários anos. Sua liderança e experiência são fundamentais para que o time jogue de forma mais agressiva, coesa e, consequentemente, mais competitiva. Sabemos que Jack tinha enorme potencial e ganhou uma bolsa de estudos para a universidade de Kansas, mas não seguiu em frente. Não vou dar spoiler das razões da carreira de Jake não ter decolado, o que é revelado na segunda parte do filme. A atuação de Ben Affleck como um ser atormentado, consumido pelo alcoolismo, é merecedora de todos os elogios. Por sinal, é um de seus melhores trabalhos. A dor de Jack, por vezes parece me atingir do outro lado da tela. Melhor elogio não poderia haver.

 
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