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"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida."
Sêneca
 
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» CORINGA
 

"CORINGA", de Todd Phillips, está em cartaz nos cines Roxy e Cinemark. No início dos anos 80 Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço-propaganda para uma loja musical prestes a encerrar as atividades em Gotham City. Não é o emprego dos sonhos para o para um comediante, ainda mais quando um bando de adolescentes roubam seu material de trabalho e lhe dão uma surra. Do lado familiar Arthur vive e cuida de sua mãe (Frances Conroy), que vive permanentemente na expectativa que as cartas que ela envia para o poderoso Thomas Wayne - candidato a prefeito da cidade -, que foi seu patrão no passado, irão melhorar a vida da família Fleck. Arthur era acompanhado por uma assistente social e fazia tratamento psiquiátrico. Sua gargalhada injustificada seria resultado de sua doença, que por sinal impede o espectador de rir (exceção feita à cena que o anão encontra-se numa situação peculiar - para não dar spoiler). A agressão sofrida no metrô desencadeia uma reação radical dispensando Arthur de qualquer vínculo em o que os intintos mais violentos despontassem. Arthur é um representante de todo o mal estar social na qual Gotham City (e o mundo atual?) está mergulhada. A fotografia é escura. Gotham City é sinônimo das trevas. A alma de Arthur é melancólica. A radiante trilha sonora que conta com "Smile", "Send in the clowns" e "That´s life", fazem um contraponto com o clima soturno do filme. A ignorância e ódio forjaram o "Coringa". E Todd Phillips, que dirigiu as comédias "Se beber não case", deixa clara a sua versatilidade e a influência do cinema de Martin Scorsese, principalmente "Taxi driver". Quanto à atuação de Joaquin Phoenix os adjetivos superlativos são merecidos tanto quanto já foram por atuações em trabalhos anteriores como "O MESTRE", "VOCÊ NUNCA ESTEVE REALMENTE AQUI", entre outros. Phoenix é um dos melhores atores do cinema atual.

 
 
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» AD ASTRA - RUMO àS ESTRELAS
 

"AD ASTRA - RUMO ÀS ESTRELAS", de James Gray, está em cartaz no Pátio Iporanga e no Cinemark. O marketing tem vendido a idéia de estarmos diante de um filme comparável a "APOCALYPSE NOW", de Francis Ford Coppola. O subtexto seria psicanalítico, com forte influência Freudiana. As críticas que li acompanham o marketing. Talvez eu tenha entrado na sala de cinema errado. O que eu testemunhei foi uma tentativa vazia, superficial de ser profundo. Desnecessário dizer que qualquer comparação com uma das maiores obras-primas do cinema beira o absurdo. A insanidade percorrida pelo coronel Willard está num outro nível do que a do major Roy McBride (Brad Pitt). Este é um astronauta cujo currículo fala por si. A sua vida em prol do trabalho é muito mais importante do que sua vida privada. As pinceladas nas quais sua esposa (Liv Tyler) surge na tela sublinham a devoção de McBride ao seu ofício. A missão que lhe é imposta é viajar até a órbita de netuno onde o seu pai, McBride pai (Tommy Lee Jones), idolatrado pela companhia para a qual o filho também trabalha, seria o responsável por desestabilizar a energia cósmica, o que, em última análise seria responsável pelos riscos aos quais a terra estaria exposta. A primeira parada de Roy é na base lunar da companhia. Por sinal a lua é mostrada como uma espécie de colonia da terra, com direito a metro, aeroportos, etc. O destino final será próximo a netuno onde haverá o confronto geracional. O filho refazendo o percurso do pai, que poderia ter enlouquecido na sua jornada, e o abandono a que Roy foi submetido seria responsável pela sua frieza emocional, por conseguir manter os seus batimentos cardíacos abaixo de 80 por minuto, em quaisquer situações. Enquanto muitos consideram uma viagem existencial, achei o filme que se leva muito a sério, com a intenção de ombrear com clássicos do cinema, mas que de fato, não passou de uma sucessão de ações presunçosas. A atuação de Brad Pitt atinge o mesmo nível de superficialidade do filme.

 
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